segunda-feira, 21 de julho de 2008

Notas EXPRESSAS - Edição 1/2 >-)

Na última vez que fui a Audio Corp pra dublar, me deparei com uma doce e talentosa menina, que entrava para a sala de espera do estúdio com a ajuda de sua mãe. Há quem possa se lembrar de uma menina deficiente visual que encenava cenas refletidas entre um choque do real e do fictício com a expressiva atriz Bruna Marquesine, na novela América. Nos tempos de gravações, ela – a menina que trabalhou com a Bruna, e a mesma em questão. - realmente fora bem aproveitada, tinha algumas cenas legais, uma boa participação... Mas, afinal de contas, parando pra pensar e refletir: por que nos limitarmos às infinidades da vida tendo na absoluta grande maioria das vezes um par verdadeiramente eficiente de olhos, pra enxergar, pra acompanhar as coisas que nos cercam, em nossos campos visuais? Talvez seja exatamente esse o mesmo pensamento que cerca a mente da menina Duda Emerick, só que sem sua visão. Deficiente visual desde que nasceu, Duda aprendeu a encarar a vida de frente, usando um lema conhecido em filosofias e histórias, porque no fim das contas ela enxerga com a ponta dos dedos, e com os olhos do coração, como diz um livro-título paradidático tocante e sobretudo, com uma lição de moral lindíssima. O que a Duda tem a ver com este texto, e sobretudo com o que este blog costuma tratar é muito simples, afinal de contas, a menina Duda agora dubla também. É, é isso mesmo. Ela dubla, e até o mês passado estava com uma personagem em uma produção de Ângela Bonatti, na mesmíssima Audio Corp. A inclusão de Duda no mercado se deve à sua própria – a de Duda – força de vontade e à insistência de sua mãe, somadas aos apoios incansáveis de Kátia Vignolo – irmã de Paulo Vignolo, dublador e diretor de dublagem. – e também da diretora em questão, Ângela Bonatti. Segundo a mãe de Duda, foi Kátia Vignolo quem ergueu o mais alto que pôde a bandeira para que a menina Duda fosse inserida na dublagem; Ângela Bonatti abraçou a idéia também e tornou possível o trabalho interpretativo de Duda na prática. "A gente leva o texto – que a diretora e a casa de dublagem cedem – pra casa, daí eu dito o texto pra ela, enquanto ela bate o texto em braile." - conta sua mãe. O resultado, não poderia ser diferente... Ela entra pro estúdio com os textos de sua personagem na ponta da língua, enquanto o timecode (relógio que corre na tela, onde o dublador costuma marcar pausas e reações) da imagem torna-se apenas um empecilho solucionável.

Pietro Mário dublando uma cena de Tony Soprano, acompanhado do olhar atento de Jô Soares. Minutos antes do término da entrevista.

No dia 16 de junho, segunda, uma espécie de elevador desembarcou num palco acima do apresentado tradicionalmente no clássico programa de entrevistas do Jô, um ícone da infância que apinhou os anos 60. Com uma apresentação de classe e com detalhes importantes de uma história brilhante a ser contada e compartilhada, Pietro Mário, intérprete do lendário Capitão Furacão – da TV Globo - e dublador das antigas, dividiu-se em contar as histórias de um Capitão que marcou a vida de muitas crianças e relembrar fatos de sua carreira tanto quanto ator de teatro e rádio, tanto de ator em dublagem. Em um vestuário que o remetia a um visual náutico, destacando uma espécie de boina característica e um cachimbo apagado segurado firme entre os dentes, Pietro encantou e marcou com seu sorriso doce, e com seu carisma e talento ímpares. Houve um momento para fotos antigas e para detalhadas histórias sobre elas. Cheio de energia e de fôlego para contar histórias e conversar, ele marcou sua entrevista com seu jeito peculiar e zarpou saudoso após dublar ao vivo no programa uma cena de "Família Soprano" e de saudar a todos com um lindo texto que ele mesmo escreveu.

Está disponível para visualização no YouTUBE dois vídeos de boa qualidade da entrevista transmitida pela Globo. Veja, reveja, se divirta com esta encantadora entrevista!! Parte UM / Parte DOIS.

2 comentário(s):

Misao disse...

Isso é muito interessante e tomara que essa menina possa vir a trabalhar nisso mais vezes. Taí um ramo que eu não imaginava que pudesse ter deficientes visuais, mas ainda bem que tem gente para provar o contrário. Vale a pena mandar uma notinha disso ao Instituto Benjamin Constant, para eles comentarem por lá. Sobre o Pietro Mário, tive a felicidade de vê-lo pessoalmente em um evento de anime, anos atrás. O homem é muito bacana. Pena o Jô ser tão tarde!

Wirley disse...

ÂNGELA: Você tem toda certeza, Ângela, em absolutamente tudo que escreveu. Tanto é que já encaminhei um e-mail a um responsável do Instituto mencionado. Claro que, isso foi feito semanas atrás, o que vale ressaltar que não obtive nenhum retorno, ainda. Mas o importante é que tomem nota e conhecimento de tudo isso, o que nesse caso já é mais do que suficiente. Fiquei sabendo pela própria mãe da Duda, que ela, é a primeira deficiente visual a dublar no Brasil. Achei isso de uma beleza inexplicavelmente única. Estou na torcida pra que tudo dê certo na carreira dela, porque além de talentosa ela tem uma voz linda. (...) E quanto ao Pietro, nossa... Ele é um ser humano extraordinário, dono de uma simplicidade e sabedoria que não cabem dentro dele. Adora contar histórias e tem um carinho especial por todos nós, sendo seus conhecidos ou não. Fico feliz por você, Ângela, que teve também a incrível oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Recomendo a todos, sem exceção!! >D
Beijo grande pra você, e fique com Deus!! Vlwz pela dica, viu? =)